Brasil - Recife e Florianópolis
Uma pausa nas histórias sobre a Eurotrip pra relembrar um pouco sobre o que pude conhecer do Brasil no ano passado. Não foi uma tarefa fácil, pois além de recém casados eu estava num programa de residência e pra quem não sabe como é, são praticamente 60 horas semanais dedicadas para iss, quase todas essas horas eu ficava fora de casa, mas ainda quando chegava em casa tinha que ler, estudar, pesquisar, planejar e aí foi que eu me envolvi com questões mais políticas das Residências. Há muitos problemas nesse Brasil, acho que é só um reflexo sobre tudo que sofremos e os contextos menores só dizem mais sobre o grande contexto em que o Brasil está inserido.
Há muito mais pra aprender enquanto se faz uma residência do que a prática assistencial ao usuário em saúde. Então minha motivação se estendeu para muito além da minha cidade e eu que quase não gosto de viagens tive a oportunidade de participar de um evento em Recife e fazer o que chamamos de estágio optativo, mas é como se fosse um intercambio bem curto. A ideia era tentar passar essas três semanas em algum lugar fora do Brasil para entender mais sobre o contexto de saúde, mas houve tanta dificuldade e consegui me inscrever para um lugar que sou apaixonada, então partiu Floripa.
Primeiro vou contar como foi minha primeira vez no nordeste. Foram apenas alguns dias, não tivemos muito tempo livre, como moro no sul, ir até o Recife só de avião. Era junho, não fez muito calor, não tivemos coragem de entrar nem no mar. Mas pudemos aproveitar o calçadão, tomar uma água de coco, pegar uma bike alugada para pedalar por alguns pontos turísticos próximos e comer, afinal, conhecer uma cultura é participar de sua mesa.
Fomos até o mercado da Boa Vista em um dia muito cheio, era sábado, eu não sei se é sempre assim, mas estava muito quente e muito cheio, não tinham mesas, não serviam muito rápido, mas comemos carne seca com queijo coalho e tomamos uma cerveja ali mesmo em pé, ouvindo um samba ou pagode que rolava pelo ambiente. Não é nosso costume, como fomos pedalando escolhemos ir ainda durante o dia para não voltar tarde e não achamos a região muito bonita, talvez pelo contexto e a surpresa, não sabíamos o que esperar. Antes de chegar lá passamos pelo Forte das Cinco Pontas, fomos pela orla, saímos de Pina, atravessamos a ponte Gov. Paulo Guerra. Seguindo por ali chegamos bem rápido ao Marco Zero no Recife antigo, vimos as esculturas de Brennand de longe mesmo, dá pra pagar e ir mais perto, mas realmente ali poderia ter uma ponte, mas seria um negócio a menos para esses barqueiros que cobram para uma curta travessia.
Nós nos hospedamos muito próximo da orla, então pudemos caminhar por lá, mas realmente não é a melhor época para ir ao nordeste, anoitece muito cedo, cerca de 5 horas da tarde já é noite e passamos por um episódio de assalto na areia na praia, estávamos apenas caminhando e eles levaram o que puderam, eram três garotos. Foi realmente a única experiência ruim lá. Nós saímos passear outra noite, fomos ao shopping de Uber e foi bem tranquilo e vimos um filme.
Para Florianópolis foi possível aproveitar mais, pois o trabalho era somente de segunda a sexta e foram incríveis três semanas. Fomos com dois amigos, o que ajudou com as despesas.
No primeiro final de semana pudemos conhecer as praias mais próximas, embora tivéssemos bem na cola da praia, durante a semana só molhamos o pé para conferir que a água estava gelada. Fomos em novembro, então já estava esquentando, mas no final da tarde o calor não fica muito e no final de semana saímos o mais cedo que conseguimos.
No sábado fizemos a curta trilha da Praia do Matadeiro, nossa intenção foi seguir a trilha e almoçar por lá. Fomos muito felizes nessa escolha, encontramos um restaurante que nos serviu muito bem, comemos um peixe delicioso e aproveitamos a praia um tempo. Seguimos viagem, nosso próximo destino foi conhecer as Dunas da Joaquina. Que paisagem incrível, tanto a areia, quanto a água tão azul, mesmo em um dia nublado.
No domingo conhecemos mais do leste da ilha, subimos até a Praia Mole e finalizamos o dia na Lagoa da Conceição, que fica bem próximo, subimos no mirante Praia Mole em direção a Barra da Lagoa e tivemos uma linda vista para o fim da tarde.
Passou mais uma semana inteira de trabalho e estávamos ansiosos para rodar o restante da ilha e conhecer um pouco mais. Ficamos um pouco da manhã na Praia do Campeche, que era onde estávamos hospedados e seguimos antes que o sol chegasse apino para fazer a Trilha da Galheta, é cheia de sombra e pudemos faze-la com tranquilidade, almoçamos por lá e seguimos para conhecer a Fortaleza de São José da Ponta Grossa. Fica praticamente na badalada Jurerê Internacional e finalizamos o dia com o pôr do Sol maravilhoso de Santo Antônio de Lisboa.
Fomos até Ribeirão da Ilha para almoçar no domingo, tivemos um dia mais tranquilo, pudemos apreciar mais da arquitetura cheia da riqueza dos primeiros moradores Portugueses e as delícias da culinária local, experimentamos as ostras e camarão na moranga. A tarde seguimos para o continente, conhecemos a região de Coqueiros, nos surpreendemos com as pedras soltas na água e a lenda das Bruxas que transformaram pessoas em pedras, para tudo temos uma explicação não é mesmo.
Foi um tempo muito bom, de uma nova experiência do conceito de Residência em Saúde que vivi quase dois anos. Pude entender que os costumes locais tem muita influência na direção e aplicação das políticas públicas. Entendi também que há tantas maneiras de se olhar o mundo e de viver aqui. Fui feliz em aproveitar esse tempo e me desprender um pouco, sei que não seria possível se já não tivesse em meu sangue essa vontade de ir até o desconhecido.
Passear durante uma viagem de evento ou trabalho é muito mais difícil, mas se você tiver pelo menos um final de semana que possa aproveitar para dar uma esticadinha, vale muito a pena. Ainda mais se assim como eu você tiver companheiros com flexibilidade para te acompanhar nessas aventuras.
Claro que eu tenho os registros e memórias profissionais e as viagens trouxeram ricas networks que nunca teria tido oportunidade de fazer estando sempre no mesmo lugar, viajar é sempre uma desculpa para ampliar suas skills e todo conhecimento que você tem de mundo é algo para aplicar no seu dia a dia, no trabalho, nas escolhas e no convívio com as pessoas ao seu redor.
Muito além do roteiro e das paisagens que pude conhecer, são as histórias e as vivências que tive que me levam a escrever aqui.
Há muito mais pra aprender enquanto se faz uma residência do que a prática assistencial ao usuário em saúde. Então minha motivação se estendeu para muito além da minha cidade e eu que quase não gosto de viagens tive a oportunidade de participar de um evento em Recife e fazer o que chamamos de estágio optativo, mas é como se fosse um intercambio bem curto. A ideia era tentar passar essas três semanas em algum lugar fora do Brasil para entender mais sobre o contexto de saúde, mas houve tanta dificuldade e consegui me inscrever para um lugar que sou apaixonada, então partiu Floripa.
Primeiro vou contar como foi minha primeira vez no nordeste. Foram apenas alguns dias, não tivemos muito tempo livre, como moro no sul, ir até o Recife só de avião. Era junho, não fez muito calor, não tivemos coragem de entrar nem no mar. Mas pudemos aproveitar o calçadão, tomar uma água de coco, pegar uma bike alugada para pedalar por alguns pontos turísticos próximos e comer, afinal, conhecer uma cultura é participar de sua mesa.
Fomos até o mercado da Boa Vista em um dia muito cheio, era sábado, eu não sei se é sempre assim, mas estava muito quente e muito cheio, não tinham mesas, não serviam muito rápido, mas comemos carne seca com queijo coalho e tomamos uma cerveja ali mesmo em pé, ouvindo um samba ou pagode que rolava pelo ambiente. Não é nosso costume, como fomos pedalando escolhemos ir ainda durante o dia para não voltar tarde e não achamos a região muito bonita, talvez pelo contexto e a surpresa, não sabíamos o que esperar. Antes de chegar lá passamos pelo Forte das Cinco Pontas, fomos pela orla, saímos de Pina, atravessamos a ponte Gov. Paulo Guerra. Seguindo por ali chegamos bem rápido ao Marco Zero no Recife antigo, vimos as esculturas de Brennand de longe mesmo, dá pra pagar e ir mais perto, mas realmente ali poderia ter uma ponte, mas seria um negócio a menos para esses barqueiros que cobram para uma curta travessia.
Nós nos hospedamos muito próximo da orla, então pudemos caminhar por lá, mas realmente não é a melhor época para ir ao nordeste, anoitece muito cedo, cerca de 5 horas da tarde já é noite e passamos por um episódio de assalto na areia na praia, estávamos apenas caminhando e eles levaram o que puderam, eram três garotos. Foi realmente a única experiência ruim lá. Nós saímos passear outra noite, fomos ao shopping de Uber e foi bem tranquilo e vimos um filme.
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| Essa vista é maravilhosa, esse mar é incrível de lindo. |
Para Florianópolis foi possível aproveitar mais, pois o trabalho era somente de segunda a sexta e foram incríveis três semanas. Fomos com dois amigos, o que ajudou com as despesas.
No primeiro final de semana pudemos conhecer as praias mais próximas, embora tivéssemos bem na cola da praia, durante a semana só molhamos o pé para conferir que a água estava gelada. Fomos em novembro, então já estava esquentando, mas no final da tarde o calor não fica muito e no final de semana saímos o mais cedo que conseguimos.
No sábado fizemos a curta trilha da Praia do Matadeiro, nossa intenção foi seguir a trilha e almoçar por lá. Fomos muito felizes nessa escolha, encontramos um restaurante que nos serviu muito bem, comemos um peixe delicioso e aproveitamos a praia um tempo. Seguimos viagem, nosso próximo destino foi conhecer as Dunas da Joaquina. Que paisagem incrível, tanto a areia, quanto a água tão azul, mesmo em um dia nublado.
No domingo conhecemos mais do leste da ilha, subimos até a Praia Mole e finalizamos o dia na Lagoa da Conceição, que fica bem próximo, subimos no mirante Praia Mole em direção a Barra da Lagoa e tivemos uma linda vista para o fim da tarde.
Passou mais uma semana inteira de trabalho e estávamos ansiosos para rodar o restante da ilha e conhecer um pouco mais. Ficamos um pouco da manhã na Praia do Campeche, que era onde estávamos hospedados e seguimos antes que o sol chegasse apino para fazer a Trilha da Galheta, é cheia de sombra e pudemos faze-la com tranquilidade, almoçamos por lá e seguimos para conhecer a Fortaleza de São José da Ponta Grossa. Fica praticamente na badalada Jurerê Internacional e finalizamos o dia com o pôr do Sol maravilhoso de Santo Antônio de Lisboa.
Foi um tempo muito bom, de uma nova experiência do conceito de Residência em Saúde que vivi quase dois anos. Pude entender que os costumes locais tem muita influência na direção e aplicação das políticas públicas. Entendi também que há tantas maneiras de se olhar o mundo e de viver aqui. Fui feliz em aproveitar esse tempo e me desprender um pouco, sei que não seria possível se já não tivesse em meu sangue essa vontade de ir até o desconhecido.
Passear durante uma viagem de evento ou trabalho é muito mais difícil, mas se você tiver pelo menos um final de semana que possa aproveitar para dar uma esticadinha, vale muito a pena. Ainda mais se assim como eu você tiver companheiros com flexibilidade para te acompanhar nessas aventuras.
Claro que eu tenho os registros e memórias profissionais e as viagens trouxeram ricas networks que nunca teria tido oportunidade de fazer estando sempre no mesmo lugar, viajar é sempre uma desculpa para ampliar suas skills e todo conhecimento que você tem de mundo é algo para aplicar no seu dia a dia, no trabalho, nas escolhas e no convívio com as pessoas ao seu redor.
Muito além do roteiro e das paisagens que pude conhecer, são as histórias e as vivências que tive que me levam a escrever aqui.







































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