Respire
Pra hoje eu poderia ter pelo menos alguém que fosse no meu ritmo. Porque às vezes eu estou cercada de pessoas ou rápidas demais ou lentas demais pra mim. Não consigo me adaptar a estes que me cercam, queria poder.
Quase sempre acho o ritmo internético muito acelerado, e a lerdeza é minha na verdade, já que sou eu quem está estática olhando para a tela e imaginando assim, o sinal de as outras pessoas não estarem ali pra te retornar é porque estão na sua vidinha, agitada ou lenta, mas estão vivendo, enquanto eu sobrevivo.
Guardo só pra mim muitas coisas, escrevo nas entrelinhas, me entende quem escuta além das minhas palavras, quem sabe interpretar o olhar, e o mistério que está por trás dele.
Me sinto inútil quando penso na minha idiotice em ficar parada olhando os outros correndo atrás da vida, eu fico aqui esperando ela parar pra me ver. Frases soltas e demasiadamente repetitivas, meu livro da vida vai acabar sendo um monólogo.
Eu devia nascer de novo. Encontrar outra vida. Se não posso, resta-me tentar re-inventar a minha. Mas dou passos largos, espero demais e não devia.
Já fiz um progresso me escondendo de mim, pra esquecer a parte ruim. Talvez funcione e eu mude o capítulo. Infelicidade é saber que essas páginas não podem ser arrancadas e que a vida reserva um tantinho de surpresas, é um narrador com vontade própria.
E como a minha histórinha depende do que acontece na tua eu fico perdida, sem saber o que fazer com tanta insegurança.

Lila,
ResponderExcluirVoce fala de julgamento proveitoso mas a condição de julgar é muito difícil.O meu não é um julgamento decisivo, autoritário e absoluto a minha é só uma visão a partir do que li da pessoa maravilhosa que você é.
As suas postagens falam muito, tanto nas linhas como nas infinitas entrelinhas, para mim, existe uma corajosa e grandiosa busca de coesão interna, de uma identidade que possa invertir ,e colocar ao avesso a ação por vezes destrutiva das suas forças criativas.
Que possa livremente construir uma vida que não provenha dos seus antecedentes, do ambiente físico e social, mas uma vida que caminhe em direção a eles e os sustente. Assim como sustentar um lindo horizonte, cuja distância em relação a você o faria desmoronar, visto que o horizonte não lhe pertence como propriedade, se você não estivesse lá para percorrê-lo com o olhar.
A Lila não é um ser "vivo" ou mesmo uma "mulher" ou mesmo uma consciência, com todos os caracteres que a zoologia, a anatomia social ou a psicologia indutiva reconhecem a esses produtos da natureza ou da história - você é a fonte absoluta de tudo, um sujeito consagrado no mundo e se revela como "ser no mundo".
Giulio